quarta-feira, 5 de novembro de 2008

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES.

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES.





Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

Por Clarice Zeitel Vianna Silva

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ



'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

METALLICA - Death Magnetic



Na música você percebe que chegou no fim da sua carreira quando chama Rick Rubin para produzir um disco seu, Johnny Cash que o diga. O cara virou a UTI( última tentativa do individuo), de vários artistas na busca daquela velha chama criativa do passado.


Depois de cometer uma série de tropeços nos últimos anos, não apenas musicais, diga-se de passagem, o pessoal do Metallica resolveu recorrer a Rubin para tentar convencer o seu público, cada vez menos fiel, que ainda poderiam dar conta do recado. Mas em Death Magnetic acabam soando como um caricatura de si mesmos. Ao ponto que James Hetfield parece estar imitando o vocalista daquela bandinha cover Beatallica e não o contrário.


Verdade seja dita, Death Magnetic soa, na maior parte do tempo, como o Metallica dos anos 80. Ou seja, incrivelmente datado. Está tudo aqui, os solos, os riffs, as mudanças de tempo. Mas nada parece muito inspirado ou necessário. E esse é o grande problema do álbum: sua irrelevância. Você já ouviu isso antes e melhor, e não há nada aqui que justifique uma nova audição.


O problema com o heavy metal é que, em geral, não é o tipo de música com a qual se possa envelhecer sossegadamente. E vamos ser sinceros, quando você fica mais interessado com a queda da bolsa de Nova Iorque e a crise financeira mundial do que com a última banda de thrash metal sueca, é que na hora de aposentar a ‘air guitar’. Pois você ficando está velho demais para esse tipo de música.


Talvez o Metallica já tenha conseguido superar essa fase e esteja agora tentando fazer as pazes com seu passado. Sem falar, que nem toda vodka do mundo justificariam um novo St. Anger. Pena que só visto desta forma, Death Magnetic talvez possa ser interpretado como uma evolução. Pois o resultado final está mais para um uniforme velho para o mesmo prisioneiro...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Era uma vez no Oeste



“O ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. Era Uma Vez no Oeste é, do começo ao fim, uma dança da morte. Todos os personagens do filme, exceto Claudia (Cardinale), têm consciência de que não chegarão vivos ao final”


Sergio Leone


Em mais um dia de sol intenso no Oeste, três homens com longas capas bege aguardam a chegada do trem em sua estação. Não querem bilhetes, mas também não pretendem viajar. De arma em punho, eles apenas esperam, no mais puro tédio que resume a palavra. Um está embaixo de uma goteira, bebendo a água que se acumula em seu chapéu. Outro brinca com uma mosca, que passeava por sua barba por fazer. O terceiro cospe no chão. O vento. A expectativa. O apito. Ele anuncia que a espera chegara ao fim. Os três tomam posição estratégica, aguardando alguma coisa. Ou alguém. Engatilham suas armas e, mais uma vez, esperam. O trem descarrega os itens que para ali se destinam, mas ninguém desce. Os homens observam atentos. Nada. Novamente o apito e o trem começa a andar, partindo. Os homens abaixam suas armas e viram as costas, indo embora. Nesse momento ouve-se o som de uma gaita. Eles param e viram-se rapidamente, com as armas novamente em punho. Assim que o trem termina de passar, um homem revela-se por detrás deles, do outro lado do trilho. Ele tem uma gaita em mãos.


Logo após finalizar sua Trilogia dos Dólares, formada por Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, Sérgio Leone resgatara todo o respeito e a certeza de que os faroestes poderiam ser bons filmes, não apenas entretenimento barato. Agora almejava novos horizontes. Em sua mente já se desenhava um dos maiores clássicos policiais de todos os tempos, mas a Paramount só bancaria seu sonhado Era Uma Vez na América caso ele fizesse apenas mais um faroeste. Sérgio estava em um beco sem saída, uma vez que, na sua cabeça, já não haviam mais histórias nesse gênero para serem contadas. Mas Leone não se deixou levar pelo olhar ambicioso sobre os lucros que esse novo filme poderia gerar. Se devia ser feito, que fosse algo bom. Leone se juntou então com Sergio Donati, Bernardo Bertolucci e Dario Argento para escrever a história e o roteiro desse seu novo trabalho. Assim nasceu a obra-prima Era uma vez no Oeste.


Jill (Claudia Cardinale) é uma ex-prostituta de New Orleans que largou a vida na cidade grande para casar com Brent McBain (Frank Wolff), um sonhador dono de uma propriedade no meio do nada, viúvo e pai de três lindas crianças. Quando Jill chega à fazenda “Água Doce”, encontra uma chacina realizada na sua nova família. A única pista de quem pode ter feito tal crueldade está em um pequeno pedaço de pano encontrado no local, que remete à cruel gangue de assassinos de Cheyenne. Como Leone queria algo novo para sua história, uma das soluções encontradas foi elevar a importância de Jill dentro do contexto geral, uma vez que Leone não havia reservado papéis importantes para mulheres em seus filmes. A partir do momento que ele coloca Jill no centro de tudo o que acontece no filme, dá uma nova direção aos seus trabalhos também.


Charles Bronson interpreta o mocinho da história, conhecido como “O Gaita”, homem não identificado de jeitão calado e muita atitude. Não sabemos sua motivação até o final, mas sente-se um doce gosto de vingança em suas atitudes, principalmente quando seu caminho se cruza com o da nossa protagonista Jill. A escolha inicial de Leone para o papel seria Clint Eastwood, mas analisando o filme com um todo, percebe-se que não seria uma boa opção. Não que Eastwood não seja capaz de interpretar um personagem como “O Gaita”, e sim por já ter uma personalidade bastante marcada por protagonizar os três filmes anteriores de Leone. Caso Eastwood fosse mesmo o escolhido para o papel, as pessoas poderiam ligar erroneamente o fato de Leone estar fazendo um novo faroeste protagonizado por Clint Eastwood e correrem para o cinema esperando um novo Três Homens em Conflito. Mas não era esse o caso.


Era uma vez no Oeste é um filme muito mais plástico que os outros de Leone, um drama ambientado no Velho-Oeste. Aqui acontece uma história muito mais profunda, sem humor e com violência menos explícita que em seus outros filmes, mas essas não são necessariamente características ruins. São apenas diferentes. Até mesmo o jeitão do “Gaita” não combina com Clint Eastwood. Ele não é irônico, canastrão e nem brinca com a cara das pessoas. Ele é apenas um tremendo grosso que impõe a sua força quando necessário, calado e de atitude. Em Charles Bronson o diretor encontrou a pessoa certa para combinar boa atuação com o perfil que o personagem exigia.


A idéia de utilizar Clint Eastwood, Lee van Cleef e Eli Wallach, os três protagonistas de Três Homens em Conflito, na introdução do filme (a cena descrita ao início desta análise) chegou a ser cogitada, mas infelizmente teve de ser arquivada devido à indisponibilidade dos atores. Seria algo genial, mágico, pois ninguém imaginaria que esses três atores, tão famosos por seus trabalhos com Leone, morreriam logo nos dez minutos iniciais do filme. Metaforizaria também o corte bruto que Leone queria fazer com seus outros faroestes, deixando claro que Era uma Vez no Oeste seria algo novo, e que eles esquecessem os três que ali estavam.


Outra sacada de gênio, porém dessa vez concretizada, foi que Leone conseguiu ninguém menos que Henry Fonda (de Doze Homens e uma Sentença) para fazer o vilão da história. Fonda nunca tinha feito tal papel na vida. Depois do massacre, quando a câmera gira e mostra que o responsável por aquela cruel chacina era Henry Fonda, muitas pessoas ficavam surpresas e já na expectativa do que de novo aquele filme poderia trazer. Suas lentes azuis bem fortes e a ambição de ser uma pessoa grande tornaram-se características imortais para esse cavalheiro agora na pele de um urubu seco para comer suas carniças.


Fechando o elenco principal temos Jason Robards interpretando Cheyenne, um dos personagens mais interessantes de todo o filme. Barba mal feita, jeitão de safado, o cara é conhecido como um cruel assassino no local onde atua. Quando tentam incriminá-lo de alguns crimes que não cometeu, o cara acaba se tornando um dos mocinhos da história, criando um contraste extremamente interessante com a fama que lhe rodeia. Fora que suas cenas de ação, como quando ele salva Charles Bronson no trem de Morton (Gabriele Ferzetti), geram empolgação e remetem ao seu bom e velho faroeste.


Vale lembrar que esta parte é apenas uma referência aos seus outros trabalhos, o que é mais uma característica de Era uma Vez no Oeste. Leone se preocupou a todo momento inserir uma coisa ou outra que remetesse aos mais conhecidos faroestes já feitos, como por exemplo o modo de filmar a ação de filmes como Rastros de Ódio, Matar ou Morrer, No Tempo das Diligências e Os Brutos Também Amam. Até mesmo filmar no Monument Valley, locação preferida onde John Ford filmara oito de seus filmes, Leone filmou. Seu perfeccionismo era tanto que até pegar um pouco da terra vermelha do local para ser usada nas cenas de estúdio, fazendo entrar poeira pelas janelas e portas dos locais, ele usou. Outra significativa inclusão no filme é a chegada da prosperidade ao Oeste, representada pela linha do trem, por exemplo, e o crescimento ao Oeste que ela traria. A tecnologia como um novo elemento.


O ritmo do filme é bem lento, calculado, sempre criando expectativa para o que vai acontecer a seguir e como o que está na tela irá terminar. Leone demorava horas para fazer um plano simples para poder alcançar a mais perfeita estética que estes planos poderiam gerar. Ele deixava que cada um tivesse o seu significado. Leone chegava até mesmo a controlar a quantidade de poeira que estaria em cada roupa de seus atores, e utilizou fotos de época exigindo o máximo de fidelidade de sua equipe na hora de criar a arte do filme. O resultado foram alguns planos memoráveis, como quando Claudia chega na cidade e ainda não temos uma visão do local. Apenas alguns planos da estação de trem e, quando ela atravessa essa estação, a câmera fixa por uma pequena janelinha. Após a grua levar a câmera bem alto, temos noção da dimensão da cidade que fora construída apenas para esse filme (o orçamento folgado liberado para essas construções era maior do que o orçamento inteiro gasto em Por um Punhado de Dólares).


O duelo final entre “O Gaita” e Frank é memorável. Para mim, a melhor cena do filme disparada. Desde a preparação, com a chegada de Frank e o encarar dos dois, até o "mega-hiper-ultra" close nos olhos de Charles Bronson, para representar a entrada na mente dele pelo público, tudo tem seu significado dentro da obra. Com o flashback, todo o filme ganha uma importância extra, pois conhecemos a motivação do “Gaita” e a importância de suas ações. Como drama também, pois a cena é simplesmente revoltante e nos faz pensar se teríamos a mesma calma do personagem em suas atitudes ao se confrontar com Frank.


Outro fator que ajudou Era uma Vez no Oeste a ser uma valsa da morte foi sua trilha musical, algo a que Leone sempre deu muita atenção em suas obras. Cada personagem possui sua trilha sonora própria, entrando em cena juntamente com o seu possuidor. Mais uma vez durante a cena inicial, quando não há nenhuma trilha sendo executada (afinal, não havia nenhum personagem principal em cena ainda), mias uma vez a trilha sonora ficou a cargo do gênio Ennio Morricone, que elevou a importância dos sons naturais para criar sua trilha. Deixou que o moinho de vento fizesse mais barulho, que a goteira fosse percebida, que a mosca fosse tão irritante quanto na vida real. Quando o trem chega, entra a trilha sonora de “O Gaita”.


Certas vezes, antes mesmo do personagem entrar em cena já sabemos que isso irá acontecer, devido à trilha executada por Leone ao início de cada seqüência. Quando dois personagens estão no mesmo local, percebe-se a genialidade: os temas se misturam criando uma nova sensação ao escutar as músicas, aproveitando ao máximo o belo material que tinha em mãos. Ao invés de torrar nossa paciência apenas com os quatro mesmos temas de sempre, Leone nos faz sentir algo extremamente positivo.


O melhor de tudo é que cada tema tem o seu significado. “O Gaita”, por exemplo, ganha um significado cavalar quando, ao duelo final, o flashback eleva sua importância ao extremo. As músicas sempre tiveram uma importância fundamental nos filmes de Leone, mas aqui elas ganham o seu patamar máximo. Foram compostas antes mesmo das filmagens começarem, pois Leone queria que elas ditassem o ritmo que sua história seria contada. Isso ajudou também na preparação dos atores, pois Leone costumava tocar seus temas no set para inspirar os personagens. Leone já tinha na ponta da língua tudo o que queria antes mesmo de começar a filmar. Tarantino aprendeu bem a lição...


Infelizmente, na época em que foi lançado, Era uma Vez no Oeste não alcançou um grande sucesso comercial nos EUA, o que resultou no corte de 20 minutos do filme para deixá-lo mais acessível ao público, bem como o estúdio queria. Só que o reconhecimento veio com o decorrer do tempo. Uma obra de arte poética e sensível, completa como faroeste, perfeita como um filme. Acabou sendo o primeiro de uma nova trilogia imperdível, seguido por Quando Explode a Vingança e a outra obra-prima Era uma Vez na América. Seja fã de Leone ou não, este é um daqueles títulos indispensáveis para quem quer conhecer a boa história do cinema.

Texto de Internet

Ai, bem sei q esse texto ja deve ter rodado 1000 vezes no email da galera, mas eh q realmente me tocou, pois acredito mesmo em amizade, nao com tanta dramaticidade, mas realmente creio q pequenos gestos podem mudar uma vida.

"Um dia, quando eu era calouro na escola, vi um garoto de minha sala
caminhando para casa depois da aula.
Seu nome era Kyle.
Parecia que ele estava carregando todos os seus livros.
Eu pensei:
'Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa
Sexta-Feira?
Ele deve ser mesmo um C.D.F'!
O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol
com meus amigos sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho..
Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção
a Kyle.
Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços,
empurrando-o de forma queele caiu no chão.
Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns
metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em
seus olhos.
Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele engatinhava
procurando por seus óculos.
Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os
óculos,disse: 'Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam
arrumar uma vida própria'. Kyle olhou-me nos olhos e disse: 'Hei, obrigado'!
Havia um grande sorriso em sua face. Era um daqueles sorrisos que realmente
mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar seus livros e perguntei
onde ele morava.
Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos
nos visto antes, porque ele freqüentava uma escola particular.
Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei
seus livros.Ele se revelou um garoto bem legal.
Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado comigo e meus
amigos.Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto
mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele.
Meus amigos pensavam da mesma forma.
Chegou a Segunda-Feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade
imensade livros outra vez! Eu o parei e disse:
'Diabos,rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa
pilha de livros assim todos os dias!'.
Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro
anos seguintes,Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos. Quando
estávamos nos formando começamos a pensar em Faculdade.
Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que
seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria
médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador
oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C.D.F.
Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super
contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.
No dia da Formatura Kyle estava ótimo.
Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola.
Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando
óculos.
Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam!
Às vezes eu até ficava com inveja.
Hoje era um daqueles dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso
sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: 'Ei,
garotão,você vai se sair bem!'
Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse:
-'Valeu'!
Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o
discurso:
'A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram
durante estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um
treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer
que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar.Vou
contar-lhesuma história.
Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele
contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele havia
planejado se matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado
seu armário na escola, para que sua Mãe não tivesse que fazer isso depois que
ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa.
Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso.
'Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!' Eu
observava o nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e
bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.
Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.
Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do
sorriso que ele me deu naquele dia.
Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você
pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.
O destino nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto,
uns sobre os outros de alguma forma."

Ai q eu to de T.P.M. e esse texto me fez chorar rsrsrs
Bjos em todos!

sábado, 25 de outubro de 2008

Speed Racer



Não se engane. Muitos críticos aproveitaram sua total e completa ignorância cinematográfica para tecer elogios a Speed Racer. Mas todos estão errados. Afirmo sem a menor hesitação que o filme dirigido pelos irmãos Wachowski é o pior do ano. É um daqueles fracassos monumentais de bilheteria e pode ser considerado como uma crônica de uma tragédia anunciada.


Antes de mais nada vale lembrar que o personagem Speed Racer, foi criado em 1966, pela Tatsunoko Productions. No ano seguinte, os 52 episódios da série foram dublados para o inglês. No Brasil, para variar, ele chegou com atraso. Somente começou a ser exibido na década de 70. Apesar disso, as aventuras do jovem piloto e seu carro cheio de recursos tecnológicos fizeram muito sucesso.

A desenho foi adaptado para o cinema de forma psicodélica. Na trama, Speed Racer (Emile Hirsch) é um jovem extremamente rápido nas pistas de corrida, embora todos os circuitos em que ele corre pareçam com um autorama gigante. Speed é um piloto agressivo, que usa todos os seus instintos com habilidade e não tem medo do perigo. Quer dizer... praticamente igual ao Rubinho Barrichello só que completamente diferente.

Existe apenas uma pessoa capaz de desafiar Speed, seu irmão Rex Racer. Porém, Rex morreu em um acidente. Como está sozinho e caminho do sucesso, o jovem piloto chama a atenção de uma megacorporação, a Royalton Industries. Recebe uma proposta que pode mudar a sua vida e a de sua família. Porém, Speed decide recusar. Isto irrita o prepotente Royalton (Roger Allam).


Furioso, ele revela a Speed um segredo. Os resultados das corridas mais importantes da temporada são pré-determinadas por um grupo de cruéis magnatas capitalistas, que manipula os resultados somente com o propósito de aumentar seus lucros. Pressionado por todos os lados, ele decide que a única maneira de salvar sua família é derrotando Royalton em seu próprio jogo.


Para obter sucesso na empreitada ele terá a ajuda de ajuda de Trixie (Christina Ricci), sua fiel namorada. Diga-se de passagem, um dos poucos méritos do filme é que o casal se parece muito com os personagens do desenho. Aliás, Christina Ricci tem mesmo cara de mangá... Os dois ainda vão contar com o importante auxílio do "mestre das batidas", o Corredor X (Matthew Fox). O trio vai disputar um rally mortal, que, inclusive, já tirou a vida do irmão de Speed.

O grande erro de Speed Racer - e possivelmente o grande motivo do fracasso do filme - são as corridas. Não é preciso ser um gênio para saber que ver o Mach 5 em ação é um dos poucos trunfos da trama. Porém, os irmãos Wachowski conseguem transformar tudo em uma maçaroca de luzes girando em alta velocidade. A edição é absurdamente confusa e, para piorar, os circuitos em formato de autorama não ajudam em nada.


Outro detalhe idiota é a insistência em reduzir a violência do desenho. Ou seja, na hora das explosões e capotagens, os pilotos acabam escapando ilesos graças a uma bizarra bolha de espuma que os envolve em um casulo de proteção. Só que no Speed Racer normal não tinha perdão. Só o Corredor X deve ter matado uns 30 figurantes.


Os irmãos Wachowski também resolveram apostar em um humor babaca que consegue desagradar tanto as crianças que nasceram em 1960 como as crianças que vivem na era do Playstation e do iPod. Chega a ser irritante ver um trabalho tão patético e pífio apostar todas as suas fichas em uma psicodelia sem sentido, no uso excessivo da computação gráfica e esquecer contar uma história. Enfim, Speed Racer é um filme infantil e infantilóide. Ou seja, se você gostou de uma estultice dessas só pode ser mesmo crítico de cinema...


P.S. - Uma curiosidade: embora muitos incautos expliquem que o capacete de Speed Racer tem a letra M em função do nome do personagem em japonês (Gõ Mifune) a afirmativa é falsa. Na verdade o M, pintado no capacete e no capô do Mach 5, representa o nome da companhia Mifune Motors, a empresa da família. Isto por que os japoneses valorizam muito mais o trabalho de equipe do que o individualismo.

Por quê votar no Gabeira (pra vc Guilhermé, que solicitou argumentos em seu blog)

Bem, uma vez solicitado argumentos para votar no Gabeira (já q o da minha filha não valeu rs), acessei o www.gabeira43.com.br para copiar seu programa de governo, mas o site não está funcionando, vai saber os motivos...
Basearei-me então nas minhas convicções pra tentar convencê-lo a votar nesse homem.
Digo esse homem, e não nesse político por entender que atualmente esse termo político não se designa mais as funções intrínsecas dessa palavra. Entendo como político alguém que possui uma função sórdida e egoísta, alguém que se traveste de homem publico e direcionado aos interesses populares, mas na realidade atua por interesses meramente pessoais. É essa a realidade da nossa política atualmente. Nossos homens públicos não possuem nenhum comprometimento com os nossos interesses, bem como com suas promessas feitas antes de serem eleitos. Por isso acredito que Gabeira não é um político, mas sim um articulador. Ele esta sendo severamente acusado de ser evasivo, mas é exatamente por ser evasivo que acredito nele. Ora, não somos mais inocentes de acreditar que um “político” consiga governar sozinho, nem que consiga realizar tudo o que planejou, por mais bem intencionado que seja. A maquina esta tão podre, que há de ter diplomacia e jogo de cintura para realizar seus intentos. E ele possui plano de governo sim, apenas não faz promessas mirabolantes que todos nos sabemos que não serão realizadas. Ele tem sido de uma transparência e coerência única. Nesse site estava tudo explicado, bem como as prestações de contas de sua campanha, coisa inédita no nosso pais. Todos nos sabemos que a corrupção começa exatamente nas campanhas, com os conchavos, as barganhas de apoios por cargos políticos, e lá se vai por água abaixo todo um projeto montado. E isso ele deixou bem claro que não fará, que não haverá esse tipo de troca. Você pode perceber em suas entrevistas que ele não promete, não discursa para os ignorantes, não é populista. Não ataca o adversário, é limpo e integro. Na entrevista da Globo a apresentadora perguntou: “O que o senhor promete que não haverá no final do seu mandato?” Ele respondeu: “Não posso prometer nada, apenas que haverá transparência durante todo ele.” Quem ficou satisfeito com essa resposta? Os ignorantes, os que abraçam os candidatos na rua, que amam aqueles que beijam criancinhas (e depois se limpam), certamente não. Adorariam escutar: vou acabar com a miséria, com o desemprego, com a violência. É muito fácil prometer, e sabemos que por mais que o governo seja bem sucedido, não é em um mandato que acabaremos com isso, mas com a seqüência de vários governos idôneos. Atentando que quando chamo “os ignorantes”, não me refiro a classes sociais, mas àqueles que ignoram as articulações políticas. Gabeira é, portanto, um candidato que não se vende, não se contradiz, não se suja para ser eleito. E é exatamente por isso que ele tem meu crédito. Não consegui transferir meu titulo de BH pro Rio, mas adoraria tê-lo feito, pra votar nesse homem. Acredito que o Brasil precisa de homens públicos honestos, mais que tudo. Enquanto houver políticos corruptos, não há plano de governo que seja concretizado efetivamente, bem como receita para ser aplicada. Há que ter transparência em suas atitudes e contas governamentais, há que se ter uma visão mais holística de governo, há que se ter decência e coerência. E é isso que Martha Medeiros chama de moderno. Um novo tipo de político, sem esse ranço, sem essa sujeirada que vemos atualmente. E se você conhecesse melhor seus textos, veria que ela não é uma feministazinha, mas sim uma mulher culta e inteligente, atenta às diversas fontes filosóficas mundiais. Certo, na revista de domingo do O Globo ela escreve crônicas mais amenas, mais populares, mas está longe de ser superficial ou fetichista.
Bem, poderia ficar aqui escrevendo eternamente sobre o Gabeira, sobre o quanto pouco valorizamos as ciências sociais e cultuamos as positivistas (uma das críticas a ele é ser um mal administrador), o quanto esse mundo e essa sociedade está precisando entender as diferenças e abolir de vez o preconceito.
Por falar nisso, quando você fala que ele não abordou determinadas questões, eu compreendo o motivo dele. Sabemos que esses assuntos são polêmicos, e que grande parcela da população é preconceituosa. Se ele é gay ou não, se ele usa ou não maconha, isso não é relevante ao cargo. Tendemos a rotular alguém: bicha, ou maconheiro, e nos limitamos a vê-lo apenas como bicha, ou maconheiro, minimizando o ser humano a esses rótulos, e fim. Para que então? Ele precisava expor seus ideais, sua concepção de homem publico, e não suas opiniões pessoais.
Ái, chega, escrevi demais. Tive a pretensão de convencê-lo a votar no Gabeira, e não nulo, mas fica com você. Talvez por uma culpa que fica me remoendo por não ter transferido meu título a tempo, aí tô eu aqui te pentelhando pra votar por mim rsrs. Até poderia convencer outro, mas só conheço uma pessoa que não votará nele, e confesso que já tentei sem sucesso. Eu que tome tento e transfira meu voto para poder exercer minha cidadania da próxima vez rs...
Bjos em todos!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

"Me dei conta de que o Brasil é um país governado por um analfabeto alcoólatra que assinou uma reforma ortográfica e instituiu uma lei seca".







Recebi por email, achei relevante. Autor desconhecido.
PS: Blog novo em http://gutoooo.wordpress.com

domingo, 19 de outubro de 2008

Se o Gabeira Ganhar - Martha Medeiros

“Sempre fomos amigos, ele é uma pessoa capaz e não pretendo vencer a qualquer preço.” O autor dessa frase é Fernando Gabeira, avisando que não engrossará o tom da campanha para enfrentar Eduardo Paes no segundo turno pela prefeitura do Rio.
Infelizmente, algumas mulheres e homens íntegros costumam dar férias para sua integridade durante campanhas eleitorais. Nessa hora, todo mundo vira leão e quer devorar o outro. Imagine um candidato admitir, antes do resultado final, que o adversário é um homem capaz. Por essas e outras é que a grande novidade desta eleição foi a votação expressiva de Gabeira, a despeito de todos os preconceitos que poderiam barrar a alavancagem de sua candidatura. Isso, por si só, já é uma vitória do Brasil – não só do Rio de Janeiro.
Se Gabeira ganhar, será a prova de que o brasileiro está votando de forma mais consciente e que cansou de ficar se lamentando em balcão de bar, repetindo a ladainha de que político é tudo igual.
Se Gabeira ganhar, saberemos que existe uma parcela da população que não tem medo de quem possui uma mentalidade aberta e que está apostando em novos horizontes, em quem tem experiência não só política, mas de vida.
Se Gabeira ganhar, finalmente teremos em um cargo público um homem que conversa com o eleitor feito gente grande, dizendo exatamente o que pensa, em vez de apelar para discursos fleumáticos e repetitivos, entulhado de jargões.
Se Gabeira ganhar, vai ser a recompensa merecida por ele ter peitado Severino Cavalcanti, dando nele um cala-boca que todos nós gostaríamos de ter dado na ocasião do “mensalinho”.
Se Gabeira ganhar, não será apenas o deputado federal que assumirá o cargo, mas também o escritor e jornalista que tantas vezes defendeu as liberdades individuais, os direitos humanos, as formas alternativas de viver em sociedade e que possui uma consciência ecológica que vem de muito antes disso virar moda.
Muitos políticos – inclusive Fogaça e Maria do Rosário, que disputarão o segundo turno aqui em Porto Alegre – já eliminaram a pose de super-heróis e a prosa característica dos “profissionais” da política, aqueles que dizem apenas o que o eleitor quer ouvir, sem compromisso com a viabilidade do que está sendo dito. Mas Fernando Gabeira, pela projeção nacional que tem e pela cidade problemática que pretende governar, é o fato eleitoral de 2008. É interesse de todos nós que a política brasileira experimente, para variar, dar espaço para alguém com um perfil mais ético, corajoso e cosmopolita. Se ele será um bom prefeito, caso eleito? Não sei, ninguém sabe. Mas ter vencido a desconfiança diante da sua biografia incomum já é motivo para comemorarmos. Ao dar crédito para Gabeira, o Brasil ficou um pouco mais moderno.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia 15 de outubro


Caros amig@s, Professores e Professoras! Recebam com carinho esta singela homenagem, em anexo, que faço a nós - arquitetos de sonhos, lavradores de esperanças, trabalhadores da educação...
Nunca terá, para os verdadeiros educadores, significado algum o dia 1º de Setembro. Este é o nosso dia - 15 de Outubro, junto com nossos pares, pela tarefa única, imprescindível e nobre de educar.
Um grande abraço!

Prof. Roberto Camargos Malcher Kanitz
===============================================
UNYK : 489 YLG

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Black Sabbath "As três macaras do terror"







Terry "Geezer" Butler viu este filme. Numa bela tarde dos psicodélicos anos sessenta, notou um cartaz publicitário de "I Tre volti della paura", ou "Black Sabbath", como seria chamado na Terra da Rainha. Neste cartaz, Boris Karloff cavalga alucinado, carregando uma cabeça decepada.

"- Se eles ganham dinheiro fazendo filmes que assustam as pessoas, nós ganharemos fazendo músicas que assustam as pessoas!".

Então Gezzer Butler mudou o nome de sua banda de Earth
para Black Sabbath
. Formava-se então uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror” é uma coleção de três contos que se tornaram clássicos do cinema de horror. O primeiro, "O Telefone" (The Telephone), conta a história de uma bela mulher que é ameaçada de morte pelo telefone. No episódio seguinte, "O Wordulak" (The Wordulak), uma família aguarda o retorno do patriarca, que enfim volta ao lar, porém contaminado por um vampiro. No último episódio, chamado "A Gota d'água" (The Drop of Water), o fantasma de uma condessa retorna do além para cobrar um anel roubado durante o preparativo para seu funeral.
O cinema italiano revisitou o gênero horror, ao construir, na década de 50/60, as diretrizes de um novo universo, repleto de sofisticação visual, forjado em cores berrantes e ambientado em uma atmosfera barroca regada pelo sobrenatural e pelas forças ocultas.

Mario Bava foi o primeiro grande expoente deste movimento. Mais do que isso, Bava foi o responsável pela concepção de uma variante do gênero que se chamaria Giallo. Para quem não sabe, "Amarelo" (Giallo, em italiano), é uma espécie de thriller que derivou dos livretos de suspense e mistério (em especial os escritos por Edgar Wallace), cujas capas eram amarelas (assim como o cinema Noir, preto em francês, vem dos livros policiais cujas capas eram negras). Nos Giallo de Bava e Dario Argento alguns elementos se tornariam marca registrada, como o assassino em série mascarado, sempre impiedoso, qual vemos apenas seus passos e suas mãos armada com instrumentos cortantes.








O segmento "O Telefone" é um genuíno Giallo. Repleto de detalhes, que sufocam o expectador, assim como sufoca a vítima, uma bela prostituta chamada Rosi. Um enredo simples, que se resume a uma noite em que a jovem recebe várias ligações a ameaçando de morte. Com medo de ficar só, Rosi convida sua ex-amante Mary para dormir em sua casa. A trama polêmica culmina num terrível assassinato. Ciúmes, libido e morte. O expectador mais atento vai notar ainda uma influência direta deste conto na seqüência inicial do horror teen de Wes Craven, “Pânico”. Adaptado por F. G. Snyder, inspirado levemente numa história de Guy de Maupassant, o episódio traz no elenco as belas Michèle Mercier como Rosy e Lidia Alfonsi como Mary. Ousou ainda em apresentar cenas de nudez feminina em pleno início dos anos 60. As peladonas se tornariam também marca registrada nas produções de horror italianas da próxima década.


A brilhante união entre dois monstros sagrados do cinema de horror, Boris Karloff e Mario Bava, resultou no segundo conto, "O Wurdulak". Este é o mais longo dos segmentos. É uma história de vampiros, onde Gorka (Karloff), um camponês russo é transformado em um Wurdulak (um tipo de vampiro que suga apenas o sangue das pessoas que ama) e ameaça toda sua família. A fotografia repleta de cores vivas, as sombras e formas "expressionistas", a direção de arte e os cenários, tudo perfeitamente entrelaçado numa verdadeira obra-prima de horror. Tudo isso ainda estrelado pelo veterano Karloff. Destaque para a sinistra seqüência em que o "garotinho", já transformado, grita pela mãe. Excelente adaptação do conto escrito pelo russo Aleksei Tolstoy (primo de Leon Tolstoy).

A trama do último episódio, escrito por Ivan Chekhov, bem que poderia ser o roteiro de um filme de terror Japonês. Apesar da simplicidade do enredo, onde um espírito se vinga de uma enfermeira que lhe roubou uma jóia, "A Gota d'água"
é o mais aterrorizante dos três segmentos. E o terror é resultado da soma de pequenos detalhes, como os estranhos ângulos da câmera, o som sufocante da "gota d'água", a mosca, a iluminação deficiente e a trilha sonora perturbadora. Mais uma prova da maestria e do brilhantismo de Bava.


O título original italiano “I Tre Volti de La Paura” poderia ser traduzido como "As Três Faces do Medo". São três contos, três faces, três máscaras do terror. A primeira máscara, em "O Telefone" é a sexualidade, que acaba motivando a violência e o assassinato. A segunda, em "O Wurdulak", é a família corrompida por um membro contaminado. A terceira máscara, em "A Gota d'água" é a loucura, a perda da capacidade de distinguir o real do pesadelo.

Alguns trabalhos de Mario Bava estão disponíveis em DVD por aqui. Dentro do gênero horror/fantástico, além de “
Black Sabbath – As Três Máscaras do Terror”, foram lançados o ótimo "A Máscara de Satã" (1960, pela Works), com Barbara Steele e o psicodélico "Hércules no Centro da Terra" (1961, pela Classic Line), com Christopher Lee e Reg Park.

A versão de "
Black Sabbath: As três Máscaras do Terror" lançada pela Works aqui no Brasil é a original, italiana. Os distribuidores americanos, na época em que o filme foi lançado nos EUA, inverteram a ordem dos contos, mudaram a trilha sonora, deceparam o filme conseguindo transformar uma obra-prima em um filme medíocre (parecem que são experts nisso, não?).