quarta-feira, 29 de abril de 2009
Entre a dignidade e o escracho
O ministro Joaquim Barbosa não se deixa humilhar pelo protetor do bisneto do Barão de Jeremoabo (o maior latifundiário do Brasil Império) e diz na Corte Suprema o que há muito o povo gostaria de dizer.
IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público
Alguém já entrou no site do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público, que é de propriedade do Ministro Gilmar Mendes?
Entre os professores desse instituto estão os senhores Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha (cinco Ministros do Supremo). Ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente a relação deles com o IDP do Presidente do Supremo. Também está na relação o Ministro Nelson Jobim.
Será que não estariam ética e moralmente impedidos de se manifestar em relação à discussão entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes? Nesse caso não haveria conflito de interesses, já que de alguma maneira os citados têm um vínculo com o Presidente do Supremo que envolve remuneração?
Aliás, pesa sobre o IDB supeitas de tenebrosas transações. Essas suspeitas foram levantadas em denúncias veiculadas pela imprensa independente. Talvez não merecessem ser apuradas, até mesmo para resguardar a respeitabilidade do STF e de seus ministros?
A lista dos professores do IDP está em http://www.idp.edu.br/web/idp/content/index/id/71
FONTE: http://www.socialismo.org.br/portal/politica/48-noticia/883-stf-joaquim-barbosa-versus-gilmar-mendes
sexta-feira, 13 de março de 2009
Proposta Importante!
Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em Escolas públicas.
Trata-se de um movimento de apoio à idéia do senador Cristovam Buarque, que era candidato a presidente com a proposta da educação. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis.. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.
SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM e ajude a REALIZAR essa idéia. Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
http://www.senado.gov.br/sf/ atividade/Materia/detalhes. asp?p_cod_mate=82166
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O FIM DA INDUSTRIA DA MÚSICA
O que segue é a resenha do New York Times para a obra, sucedida pela íntegra da “orelha” do livro, ainda não disponível em português.
(nota do tradutor: referência à notória letra do grupo inglês The Clash, onde o refrão bradava “I Fought The Law/And The Law Won” [Eu lutei conta a lei/e a lei venceu]).
Por DWIGHT GARNER
Publicado originalmente em 6 de Janeiro de 2009
“Não dá pra enrolar um baseado num iPod,” disse a cantora/compositora Shelby Lynne à Revista do New York Times no começo do ano passado. E, ok, eu acho que isso está entre as desvantagens do iPod. Mas é difícil pensar num recurso eletrônico lançado nas últimas décadas que tenha trazido mais prazer a mais pessoas do que ele.
Alguém deveria se importar com o fato de que, nesse processo, o iPod tenha matado a indústria musical que conhecíamos? Talvez não, escreve Steve Knopper em “Apetite For Self-Destruction,” (A Espetacular Queda da Indústria Fonográfica na Era Digital, Steve Knopper, 301 páginas, Free Press, $26 dólares) sua incisiva versão dos erros que as grandes gravadoras cometeram desde o fim do LP e a chegada da música digital. Estes dinossauros, sugere ele, são responsáveis em grande parte por sua própria extinção.
O Sr. Knopper, um editor-colaborador da (publicação de entretenimento norte-americana) Rolling Stone, fornece uma visão angular e moralmente complicada do atual estado da indústria da música. Ele não deixa os que copiam e gravam CDs entre nós – ou seja, aqueles que baixam canções digitalizadas sem pagar por elas, e vocês sabem quem vocês são - inteiramente sem culpa. Mas ele sugere que mesmo com um pouco de visão, os selos musicais poderiam ter se adaptado às brutais e complicadas novas realidades da Internet e sobrevivido.
Essa é uma história que começa nos primórdios dos anos 80, quando a música digital chegou, primeiramente na forma do CD. A princípio, sugere o Sr. Knopper, quase todo mundo estava apavorado com esses pequenos e reluzentes novos brinquedos.
As gravadoras se preocuparam com a pirataria digital e como adaptar as fábricas que produziam LPs de vinil. As lojas de discos não queriam comprar novas prateleiras de exposição. Os produtores se preocupavam com os efeitos nas sessões de gravação, agora que qualquer passo e batida de porta seriam audíveis. Um grupo chamado MAD (Musicians Against Digital – Músicos Contra o Digital) formou-se prontamente, e artistas como Neil Young declararam que os CDs não tinham alma.
“A mente foi enganada,” disse Young na época, parecendo um pouco como (o personagem da série cinematográfica ‘Guerra Nas Estrelas’) Yoda, “mas o coração está triste.”
Os selos entraram no meio porque eles poderiam subir os preços. (LPs, na época, eram vendidos por cerca de 9 dólares; a maioria dos CDs custava quase o dobro disso.) As gravadoras também podiam renegociar contratos com artistas e forçar os consumidores a comprar coleções de discos inteiras novamente. De acordo com Knopper, os executivos também achavam que era legal assistir “àquela gavetinha abrir e fechar” nos CD players.
Os produtores e artistas também se uniram, afirma Knopper, porque o CD “simplesmente tinha um som melhor do que o LP, não importa o quanto seus detratores queixem-se até hoje sobre a perda do som analógico rico e quente.” Mas as lojas de discos permaneceram na resistência, e assim a existência das capas de papelão e das “longboxes” de plástico – lembram-se delas? - continuou até o começo dos anos 90 (o autor nos lembra de que no filme “Defending Your Life” o personagem de Albert Brooks morre ao tentar abrir uma enquanto dirigia).
“O boom do CD durou de 1984 a 2000”, escreve Knopper. Daí o restante de velhos erros e uma onda de novas realidades começou a martelar a indústria musical por todos os lados.
Uma das primeiras coisas que os selos fizeram de errado, diz Knopper, foi a eliminação do single. Isso forçou os jovens a largarem o hábito de visitar lojas de discos com regularidade e forçou-os a comprar um disco inteiro para ter a canção que eles queriam. A curto prazo isso era uma boa prática de comércio. A longo prazo isso provocou animosidade. Foi suicida.
Quando o Napster e outros websites de compartilhamento de música apareceram, o single voltou para se vingar. Em pouco tempo, o MP3 – o termo comumente usado para arquivos de áudio digitalmente comprimidos e facilmente trocados – tivesse substituído o sexo como o termo mais procurado em sites como Yahoo! e AltaVista.
A indústria musical travou a vinda do Napster. Ao invés de fechar um acordo com o serviço que tinha mais de 26 milhões de usuários, os selos o processaram, forçando-o a fechar. O resultado, escreve Knopper, foi que os usuários simplesmente se fracionaram, indo para muitos outros sites de compartilhamento de arquivos. “Aquela foi a última chance,” ele declara, “para a indústria fonográfica que conhecemos livrar-se da ruína certa.”
Algumas das sementes dessa epopéia foram plantadas muito antes, durante uma briga da indústria no meio dos anos 80 pela Digital Áudio Tape (DAT). Dispositivos foram instalador nos tocadores dessas fitas para limitar cópias. Mas os selos tiveram pouca visão ao ignorarem as copiadoras de CD nos computadores. Os usuários podiam copiar música quase infinitamente nelas. Oops. “Eles vacilaram,” um executivo de vendas da Sony disse. “Completamente.”
As seções finais de “Apetite for Self-Destruction” descrevem a chegada de Steve Jobs e da Apple no pedaço. O lançamento do iPod foi um tipo de tiro de misericórdia para a indústria moribunda. Em pouco tempo, a Apple tornou-se a maior varejista de música dos EUA. Os executivos da música observavam, catatônicos e indefesos. “A Apple tinha basicamente tomado todo o mercado musical,” escreve Knopper.
Ele pinta um quadro devastador de jabaculê, corrupção, ganância e má fé da indústria ao longo de décadas. ("Esse negócio não é cheio de Martin Luther Kings,” um ex-executivo da música admite.)
É uma pena que esses interessantes argumentos e observações estejam tão misturados num livro pouco gratificante. A prosa em “Apetite for self-Destruction” é mal-passada, cheia de clichês (as apostas são sempre altas, pessoas constantemente têm seu tapete puxado, vendetas são executadas) e descrições estranhas. Michael Jackson “dançava como um anjo para trás, estrilava e gritava agudos”; o executivo da Sony Tommy Mottola “vestia correntes de ouro e jaquetas de couro roxo e tinha um visual cool.”
Além disso, Knopper aparentemente não teve acesso a muitos dos figurões dessa história, incluindo o Sr. Jobs. Sua versão recicla material coberto em livros mais antigos e melhores, como “Hit Men” de Fredric Dannen e “The Perfect Thing” de Steven Levy.
As gravadoras acharam, nos últimos anos, algumas novas razões para ter fé. Ringtones tornaram-se um negócio sério. Jogos para computador como Guitar Hero e Rock Band decolaram, e precisam ser alimentados com músicas novas. E sempre haverá a esperança que o quase monopólio da Apple sobre as vendas de música será quebrado por outros mecanismos e serviços, permitindo aos selos pechinchar por uma fatia maior na venda de canções.
Essa poderia ser uma longa espera. A Apple será sempre difícil de bater. O Sr. Jobs está provavelmente trabalhando agora num iPod que vai enrolar o baseado de Shelby Lynne pra ela.
Este artigo foi revisado para refletir a seguinte correção, feita em 14 de janeiro de 2009:
A resenha do Livro do (New York) Times na última quarta-feira, sobre “Apetite for Self-Destruction: A Espetacular Queda da Indústria Musical na era Digital, “ por Steve Knopper, referiu-se erroneamente aos esforços de limitar a cópia de música nas fitas DAT (Digital Audio Tapes) no meio dos anos 80. Dispositivos chamados de widgets foram instalados em tocadores de fita para limitar as cópias; as gravadoras não os instalaram nas fitas em si.
Descrição/Orelha
Pela primeira vez, "Apetite for Self-Destruction" reconta a história épica da eminente ascensão e queda da indústria musical ao longo das últimas três décadas, quando o sucesso inacreditável do CD tornou o mercado musical numa das indústrias mais glamurosas e poderosas no mundo – e o advento do compartilhamento de arquivos a pôs de joelhos. Num relato abrangente e ágil, cheio de personalidades grandiosas, o editor colaborador da Rolling Stone, Steve Knopper mostra que, depois da incrível riqueza e excesso dos anos 80 e 90, a Sony, a Warner e as outras potências causaram sua própria queda ao longo de anos de negação e decisões ruins mediante os avanços dramáticos da tecnologia.
A indústria musical tem estado dormindo ao volante desde que o Napster revolucionou a maneira que a música era distribuída nos anos 90. Agora, uma vez que pessoas poderosas como Doug Morris e Tommy Mottola falharam ao reconhecer o incrível potencial da tecnologia de compartilhamento de arquivos, os selos fonográficos estão em risco de tornarem-se completamente obsoletos. Knopper, que tem escrito sobre a indústria por mais de dez anos, tem acesso único àqueles intimamente envolvidos nos altos e baixos do mundo da música.
Baseado em entrevistas com mais de duzentas fontes da indústria musical – desde o diretor da Warner Music Edgar Bronfman Jr. até o renegado criador do Napster, Shawn Fanning – Knopper é o primeiro a oferecer tão detalhado e arrebatador histórico contemporâneo da selvagem incursão da indústria ao longo das três últimas décadas. Do nascimento do CD, passando pela explosão das vendas do formato nos anos 80 e 90, a ascensão do Napster, e as conferências secretas que levaram ao iTunes, até o atual colapso da indústria enquanto as vendas de CD caem vertiginosamente, Knopper nos leva para dentro de salas de reunião, estúdios de gravação, grandes propriedades privadas, laboratórios de informática em garagens, jatos particulares, conflitos corporativos, e negociatas secretas dos nomes célebres e os poderosos dos bastidores que fizeram tudo isso acontecer.
Com retratos inesquecíveis dos poderosos e ex-poderosos do mundo da música, relatos detalhados de idéias tanto brilhantes como estúpidas trazidas à execução ou deixadas na sala de edição; os podres em esquemas escusos, negociatas e brigas, e muitas histórias jamais antes reportadas, Apetite for Self-Destruction é uma leitura arrebatadora, informativa e altamente divertida. Ele oferece uma ampla perspectiva do atual estado da indústria musical, como ela entrou nesses caminhos sinuosos e pra onde ela vai – uma história de alerta para a era digital.
Fontes:
NY Times
Simon & Schuster
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
CHEGOU CUTUCANO! CHEGOU CUTUCANO!
O riso frouxo será a marca do enredo deste ano, que promete estourar a boca do balão. E para isso, a Diretoria do Cutucano Atrás promete defender o enredo com unhas e (poucos) dentes, mas sempre com cuidado para não estragar o esmalte.
Então, não perca o bloco mais boêmio do Rio de Janeiro. Traga sua família, amigos e Coregas. O Cutucano Atrás desfilará no próximo dia 14 de fevereiro, sábado anterior ao Carnaval, na orla do Leme. O bloco até foi convidado para desfilar na Intendente Magalhães, mas se Intendente, não teria a ver com o enredo. Por isso, o Cutucano se concentrará, como sempre, no quiosque Antonio's, quase em frente ao restaurante Fiorentina.
Sábado, dia 14/02
Concentração: a partir das 16h
Desfile: 19h01
Término do desfile: 19h05
Dispersão: variação do índice de refração num meio de acordo com o comprimento de onda da radiação. Ou seja, até o último boêmio de pé.
Aproveite que acabamos de fazer um updente no nosso site para fazer uma visita e conhecer um pouco mais sobre o bloco e o enredo 2009: www.cutucanoatras.com.br
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Piores filmes de 2008

Neste clima de confusão, caos e agora crise generalizada (ainda que o governo tente minimizar tudo), o cinema esteve muito mal. E acho que se acabarem com a meia entrada vai ficar ainda pior. Não pensem que as pessoas continuarão indo ao cinema. Por que custa a cair a ficha de que cinema é muito caro para brasileiro. Sai muito caro ir a cinema e o que precisamos não é de lugares marcados (o que é besteira, eu odeio porque nunca sei onde quero sentar, mas como não funciona mesmo, porque as salas estão invariavelmente vazias, é desperdício de tempo). E hoje em dia, até jovem prefere ficar em casa diante do computador, baixando series de tevê, jogando vídeo game, falando no orkut e fazendo amigos ou sexo. Acordem porque o cinema está em perigo.
Isso explica porque a febre atual de abrir salas preparadas para a Terceira Dimensão, que também como tudo na vida irá durar pouco.
Não gostei da média geral dos filmes lançados este ano. Ao fazer uma lista, foram muitos os indicados e deixando de lado os brasileiros (até agora por exemplo eu não vi Bezerra de Menezes, que foi bem mas dizem ser pavoroso). Eis uma lista não exaustiva de alguns piores de 2008
9) Speed Racer dos Irmãos Wachovski- Não achei tão ruim mas foi o maior fracasso do ano, a Warner perdeu milhões. O filme tinha seu charme, mas infelizmente o público o rejeitou inteiramente.
8) Jumper, de Doug Liman - Que idéia boa, mais mal realizada, com o pior ator do ano Hayden Christensen.
6) – Missão Babilônia, de Matthieu Kassovitz. O diretor mais uma vez renega seu trabalho e vai para a imprensa acabar com o que o fizeram com o filme na montagem final. Será que não aprende a calar a boca?
5) Arquivo X Eu quero Acreditar – de Chris Carter - O Próprio criador da série consegue acabar com ela, fazendo um longa metragem completamente fora de tom, uma fita de terror de tortura, idiota e violenta, sem qualquer conspiração digna de nota.
4) Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - Muito chato e "cá entre nós", ninguem esta muito preocupado com as aventuras de Indiana Jones.Deixem o Harrison Ford descansar em paz.
1) Fim dos tempos de M. Night Shyamalan. O público que pediu, porque o espectador odeia este filme que até tem idéia interessante, sobre algo inesperado que para várias cidades americana. É uma espécie de revolta das plantas, ecológica. Mas tudo é muito mal feito e mal resolvido. O diretor de Sexto Sentido caminha para o esquecimento e desprezo
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
E FELIZ NATAL
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
AMOR NOS TEMPOS DE CRISE Por: Alex Ribeiro (11.12.2008)

"Hay personas que transforman el sol en una simple mancha amarilla, pero hay tambien quienes hacen de una simple mancha amarilla el proprio sol".
"Existem pessoas que tranformam o sol numa simples mancha amarela, porém existem aqueles que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."
"There are some people who looks the sun and see a simple yellow brush. But there are others who look at the simple yellow brush and see the big sun. "
Vivemos um momento de esquizofrenia. O mundo e nossos valores padecem numa bipolaridade muito particular onde perdemos de vista (e acho que definitivamente) a noção do que de fato é possível ser feito daqui pra diante...
Um dia o dólar sobe a bolsa cai. Na manhã seguinte as bolsas da Ásia fecham com altas, dólar em baixa, fuga de capitais. E no fim do dia o espírito da manada (agora globalizada) segue a tendência que se inverte na manhã seguinte. Tempos turbulentos que acordam sonhos e desejos adormecidos. Revoluções impossíveis e um caminho que parecia sem volta.
A mão invisível do mercado ficou tão invisível que se perdeu em si mesma, e se materializa numa postura de um pedido desesperado de ajuda a aquele que subordinou a condição de MÍNIMO e de INEFICIENTE. Tão ineficiente que deveria deixar o mundo seguir por caminhos próprios, sem sua interferência e ineficiência...
Mas agora este mínimo vira O MÁXIMO e o único capaz de ajudar ao desesperado, falido e ineficiente mercado a se salvar de si mesmo. Como um pai austero de origem humilde, que com seu próprio suor construiu um império, e que o filho agora adulto, depois de assumir o controle, pôs tudo a perder numa jogatina desmedida, seja nas noitadas (nos eventos de marketing), seja em investimentos sem lastro (derivativos) ou mesmo nas apostas de corrida de cavalos e cassinos (bolsa de valores). Agora este filho volta ao pai desesperado pedindo socorro, mas não o participou nos tempos de bonança. Gastou o que podia nas luzes da ribalta e agora quer dividir os tempos obscuros e de sacrifícios com o pai, com a família e todos os empregados da mansão. Pede o sacrifício de todos, corta salários e cabeças. Corta nas instalações dos empregados mas continua a dormir em lençóis de cetim e a tomar Chateau Petruse e Romanee Conti, comendo Caviar.... Realmente este filho parece estar disposto a sacrifícios...
Como os tempos idos do século XIV, onde o mundo era arrasado pela peste negra, também esta, responsabilidade única dos senhores feudais que condenavam seus servos a viverem em cidades imundas, em condições mais que precárias de higiene, criando o ecossistema ideal aos ratos que espalharam a peste dizimando milhões de pessoas em todo o mundo. Como naqueles tempos, hoje somos chamados a dividir a responsabilidade de uma crise causada por poucos. Como naqueles tempos, hoje somos chamados a assistir os legislativos adaptarem as leis vigentes e se preciso, criar novas leis para conseguir proporcionar a ajuda necessária aos senhores feudais desesperados pela perda de seu lugar de conforto. Os pobres do mundo mais uma vez pagarão as contas de uma crise causada por poucos... Mais uma vez sucumbirão a uma peste negra.
Mais uma vez o clero, os nobres, e os reis serão suportados por mãos e braços de trabalhadores de todo mundo que não ouvindo ao conselho de Marx, não se uniram em prol de si mesmos, acreditando num futuro virtual, seja no reino dos céus ou mesmo na ilusão de acender a classe média. Exatamente como naqueles tempos idos do século XIV, onde só restava aos servos, aos pobres, acender ao clero, ou tentar se sobressair nas guerras e quem sabe ser reconhecido pelo seu rei com algum título de nobreza. E aos trabalhadores só restava aceitar seu destino e seguir vivendo uma vida de servidão. Exatamente como nos tempos atuais, onde, em tempos de crise, seu salário é reduzido, os impostos aumentam e seu emprego ameaçado, sua qualidade de vida prejudicada, para manter vivo o poder do capital. Exatamente como ha 700 anos atrás.
E ainda há quem tenha a coragem de dizer que o SOCIALISMO morreu. O Socialismo é inviável.
Como dizia um velho hino do PCdoB, "O Socialismo renasce todo dia, o socialismo é a mosca na sopa da burguesia".
E é mesmo. E através das orientações do Socialismo mesmo morto, deturpado, desacredito, que nasce uma luz no fim do túnel para os senhores do capital e do neoliberalismo. É através do ESTADO que por força de interesses (infelizmente não tão nobres) não se fez mínimo e hoje consegue se mobilizar para resgatar a turva de afogados deste naufrágio do sistema. É no ESTADO que o grupo que estava e está levando o mundo a bancarrota, busca desesperado ajuda para minimizar o estrago que fizeram até aqui. É socializando os prejuízos com milhões de trabalhadores que não foram convidados pro BANQUETE que acontecia na CASA GRANDE nos tempos de bonança e eram obrigados a se amontoar em volta de uma fogueira feita de gravetos na escura e sombria SENZALA.
Enquanto os banqueiros se banqueteavam na Zona Sul, os trabalhadores se amontoavam na periferia e nos subúrbios depois de horas de trabalho duro e mais algumas apertados no caminho de casa em metrôs e ônibus coletivos.
Os tempos são de esquizofrenia. Matamos um sistema sob a acusação de opressão, de corrupção, de iniqüidades e inviabilidades humanas. Derrubamos os muros da vergonha, privatizamos as empresas, os interesses, os lucros e a vida de pessoas. Abandonamos a luta de classes, perdemos os rumos da revolução. E o único objetivo de um cidadão era acender na escalera social e ganhar seu primeiro milhão. Consumir, TER, TER, TER...
Agora, não sabemos mais o que fazer com o monstro criado. A opressão do homem pelo homem foi substituída pela opressão do homem pelo capital. Este ficou maior que os ESTADOS, e se sobrepôs a qualquer conceito de cidadania. Vieram os extraterritoriais e as transnacionais. Tudo cresceu estratosfericamente, menos os salários... Menos os direitos...Estes só encolheram, e alguns simplesmente deixaram de existir. Os muros ideológicos foram substituídos por muros sociais e em algumas fronteiras muros ainda mais vergonhosos foram levantados. E hoje pra surpresa até do mais visionário pensador, reestatizamos empresas e bancos quebrados, ajudando novamente os senhores feudais a arcar com os prejuízos e com sua incompetência em administrar seu próprio patrimônio. A mão invisível do mercado faz sinais obscenos para o mundo e para a classe trabalhadora, e se pôe em posição de oração diante do ESTADO, outrora ineficiente e que deveria se tornar mínimo. Leis são criadas para favorecer aos senhores feudais na forma da letra da lei, sem que ocorram em nenhum ilícito...
E o mundo liberal clama pela intervenção do Estado. Aquele mesmo estado que deveria se tornar mínimo. E que hoje infla suas dívidas comprando e socializando as dívidas que eram privadas, sem redistribuir os lucros que os senhores feudais tem em seus CPFs particulares, liberando os mesmos de arcar com a responsabilidade solidária nos rombos que ajudaram a criar.
Eu cresci num mundo que oscilava entre esquerda e direita, entre socialismo e capitalismo. Entre União Soviética e Estados Unidos da América. Me tornei adulto num mundo hegemônico, com a URSS destroçada, suas repúblicas desmanteladas e entregues a gangues e máfias que se chafurdaram no comércio ilegal de armas, drogas e prostituição. O legal era ser americano, e conquistar seu primeiro milhão antes dos 40. Aplicar na bolsa, ter reservas em moeda estrangeira, dinheiro em paraíso fiscal.
Hoje o Gigante tombou fazendo tremer a terra abaixo de seus pés. Vidas, muitas vidas estão sendo tragicamente destruídas por conta de uma crise insana, uma crise de valores. Valores Absolutos e valores relativos.
Gente perdendo casas, patrimônio, emprego e dignidade. E os senhores feudais sendo socorridos pelos cofres públicos para não terem de arcar com sua cota pessoal de sacrifício. Com seu patrimônio pessoal.
Quantos executivos e empresários estão perdendo suas casas ? Quantos estão entregando seus carros para as financeiras ? Quantos estão tirando os filhos da faculdade por que não podem pagar? Quantos estão deixando de viajar por que não tem dinheiro ? Quantos estão reduzindo a carne, o leite, as frutas no dia a dia? Quantos estão perdendo seus empregos e poupudos bônus? Quantos vâo arcar na pessoa física com a cagada e lambança feitas na pessoa jurídica ?
Quantos ?
Diante da triste cena mundial em que vivemos, muita coisa fica sem sentido. A esquizofrenia do mercado mundial se transporta para nossas vidas pessoais, impactando nossa forma de nos relacionarmos conosco mesmos. Impactando nossa forma de ver o mundo, nossa forma de viver neste mundo...
Não temos mais o consolo do templo como no século XIV, em que o PAPA dizia que os pobres herdarão o reino dos céus, enquanto os ricos controlavam o Reino da terra.. Isto inclui o Papa.
Não temos mais o ideal revolucionário nem o sonho de um mundo equânime. Estamos acostumados a desigualdade e até nos orgulhamos dela. Orgulhamos-nos de ter acendido na escalera social em detrimento de milhões que morrem de fome mundo afora. Orgulhamos-nos de nossas posses, mas quantos de nós podemos olhar com sinceridade no espelho e se orgulhar de nossas atitudes. Do caminho que fez para chegar lá ?
Quantos podem se orgulhar de não explorar de forma perversa aqueles que não tiveram a mesma sorte de nascer pelo menos num berço de classe média ?
Quantos podem se orgulhar e sinceramente bater no peito dizendo que está absolutamente fora do círculo vicioso de corrupção que nos envolve ?
Quantos de nos empresta aos bancos, e estes por sua vez empresta a quem mais necessita com juros absurdos? Por acaso sou inocente do pecado da usura só por não ser o agiota da base da pirâmide mas que patrocina o esquema de forma indireta?
Quantos de nos pode dizer que tem sido movido pela máxima de um mestre que teve suas palavras manipuladas, deturpadas e adaptadas de forma genial a atender os anseios e necessidades dos senhores feudais que hoje carregam no nome o poder de uma marca forte ?
Quantos de nós pode dizer que "Ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo?"
Uma crise nestas proporções supera toda nossa capacidade de articulação material e tem raízes muito mais profundas do que simplesmente a quebra do sub prime americano. A crise de proporções dantescas esta incrustada em nosso desejo perverso de nos sobressairmos, de sermos melhor que nosso irmão, que nosso amigo. A crise esta incrustada no nosso desejo de possuir coisas e pessoas. De usar coisas e pessoas. De ignorar a divindade em cada ser humano que caminha e enxergá-lo apenas como "Mercado de Consumo" e reduzir cada espírito a estatísticas e estratégias de marketing.
A crise tem proporções dantescas por que além de toda a carestia e desigualdades sempre existentes no mundo, ela acelerou um câncer que vinha se desenvolvendo ha séculos. O câncer do DESAMOR.
Abandonamos a simplicidade em prol da complexidade de um mundo de obsolescência planejada e esquecemos que só temos um planeta. Uma terra. Destruímos o meio ambiente, matamos animais, escravizamos pessoas em um regime neoliberal perverso que mutila a capacidade de resistência da maior parcela da humanidade. Criamos exércitos de servos, de operários bem alimentados (e alguns nem tanto) de forma a servir de engrenagem pra um sistema que supúnhamos invencível. Infalível.
Faltou amor. Faltou amor próprio quando nos entregamos ao stress de ganhar dinheiro, levando o corpo ao seu limite físico e o espírito além dos limites morais e emocionais. Faltou amor quando decidimos por em risco uma relação amorosa em favor de uma carreira, status, dinheiro e poder. Faltou amor quando solapamos de nossas crianças e adolescentes sua alegria e tempo, forçando a acelerar o passo, aprender idiomas, fazer intercâmbios, MBAs.
Faltou amor quando perdemos a noção do tamanho que temos. Do desejo que temos.
Faltou amor quando perdemos a capacidade de ser feliz simplesmente. De ser feliz sem TER tanto. Faltou amor quando perdemos a capacidade de "olhar os lírios do campo".
Faltou amor quando nos apertamos e nos oprimimos todo um dia sem ver a luz do sol encaixotado em caixas de vidro ineficientes respirando ar condicionado.
Faltou amor quando perdemos a capacidade de ver em cada mancha amarela um sol, e passamos a ver o sol como uma simples mancha amarela...
Faltou amor e vai faltar muito mais à medida que a crise se agrava e que procuramos tapar seus buracos com pacotes econômicos de estímulo ao consumo. A mais consumo...
E vai continuar faltando amor enquanto estivermos presos no círculo vicioso de trabalhar a morrer para pagar o custo fixo, o cartão de crédito, o carro da moda, a roupa da moda, o estilo da moda, quando nos esquecemos que o essencial é realmente invisível aos olhos.
AMOR SEMPRE FALTA EM TEMPOS DE CRISE, porque TERRA QUE FALTA PÂO TODO MUNDO GRITA E NINGUÉM TEM RAZÂO.
Embora vivamos um triste cenário, com perspectivas terríveis. Comoditizamos tudo, inclusive nossos sentimentos. Influência e conhecimento viraram mais uma das muitas moedas e como nos idos tempos passados, o Sexo nunca foi algo tão estratégico nas relações, sejam elas comerciais ou pessoais.
Mas faltou amor.. e continua faltando...
Espero que o mundo encontre seu equilíbrio. Que se cure desta esquizofrenia e que consiga encontrar um caminho do meio entre as mazelas e virtudes dos regimes socialistas e neoliberais. E que nossa capacidade de superação e aprendizado nos ajude a perceber definitivamente que apenas uma lei deveria constar de nossas constituições:
"Ama teu próximo como a ti mesmo"
Todo resto é vaidade..Vaidade das vaidades. É correr atrás do vento.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Por Waldemar Guimarães
Com o apoio incondicional de todo o Brasil o estado de Santa Catarina se recupera de uma das maiores tragédias naturais que se tem notícia em nosso pais. Essa é a prova do poder de um povo bom e generoso em sua esmagadora maioria, essa é a lição a camada de governantes que só se preocupam com o benefício próprio, essa força deve agora ser presença marcante nos desígnios desse pais para que um dia possamos desfrutar dos verdadeiros ideais democráticos. O nosso povo necessita de escolas melhores, porque sem educação apropriada fica mais fácil manipular massas para fins eleitorais espúrios, necessitamos de um sistema da saúde mais eficiente pois um povo adoecido também não estará apto a decisões baseadas na sanidade, necessitamos de menos impostos e desfrutar do verdadeiro valor do dinheiro e não pagar impostos abusivos para sustentar uma gigantesca máquina burocrática com seu inúmeros apadrinhados incompetentes e inúteis. Um povo se transforma numa nação também pelo caminho mais difícil, ou seja, na adversidade. Assim cresceram os países europeus envoltos em sua maioria em grandes e calamitosas guerras. A nossa guerra não foi escolhida por nos, mas pela natureza e seu poder insuperável que só foi amenizado com o maior valor que uma nação pode ter. UNIÃO. Parabéns Brasil, parabéns brasileiros.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Realmente é um absurdo como funciona a nossa sociedade capitalista!!!
É rápido, mas não indolor ...
Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.
"Vou fazer um slideshow para você. Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir!
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com US$120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 3 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1,5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia."
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa, o nosso almoço tá garantido mesmo.
