
Prof. Roberto Camargos Malcher Kanitz
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Onde idéias são evacuadas!


Terry "Geezer" Butler viu este filme. Numa bela tarde dos psicodélicos anos sessenta, notou um cartaz publicitário de "I Tre volti della paura", ou "Black Sabbath", como seria chamado na Terra da Rainha. Neste cartaz, Boris Karloff cavalga alucinado, carregando uma cabeça decepada. "- Se eles ganham dinheiro fazendo filmes que assustam as pessoas, nós ganharemos fazendo músicas que assustam as pessoas!". Então Gezzer Butler mudou o nome de sua banda de Earth para Black Sabbath. Formava-se então uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. “Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror” é uma coleção de três contos que se tornaram clássicos do cinema de horror. O primeiro, "O Telefone" (The Telephone), conta a história de uma bela mulher que é ameaçada de morte pelo telefone. No episódio seguinte, "O Wordulak" (The Wordulak), uma família aguarda o retorno do patriarca, que enfim volta ao lar, porém contaminado por um vampiro. No último episódio, chamado "A Gota d'água" (The Drop of Water), o fantasma de uma condessa retorna do além para cobrar um anel roubado durante o preparativo para seu funeral. O cinema italiano revisitou o gênero horror, ao construir, na década de 50/60, as diretrizes de um novo universo, repleto de sofisticação visual, forjado em cores berrantes e ambientado em uma atmosfera barroca regada pelo sobrenatural e pelas forças ocultas. |
O segmento "O Telefone" é um genuíno Giallo. Repleto de detalhes, que sufocam o expectador, assim como sufoca a vítima, uma bela prostituta chamada Rosi. Um enredo simples, que se resume a uma noite em que a jovem recebe várias ligações a ameaçando de morte. Com medo de ficar só, Rosi convida sua ex-amante Mary para dormir em sua casa. A trama polêmica culmina num terrível assassinato. Ciúmes, libido e morte. O expectador mais atento vai notar ainda uma influência direta deste conto na seqüência inicial do horror teen de Wes Craven, “Pânico”. Adaptado por F. G. Snyder, inspirado levemente numa história de Guy de Maupassant, o episódio traz no elenco as belas Michèle Mercier como Rosy e Lidia Alfonsi como Mary. Ousou ainda em apresentar cenas de nudez feminina em pleno início dos anos 60. As peladonas se tornariam também marca registrada nas produções de horror italianas da próxima década. |

Por Pedro Camacho
Os americanos conseguem fazer uma comédia romântica da lista telefônica. Vejam o caso de Juno, vencedor do Oscar de roteiro original de 2008, o filme é basicamente uma comédia moderninha que tem de fundo temas como gravidez na adolescência, aborto e adoção. Coloque uma trilha sonora de bandas descoladas em cima disso tudo e pronto. Depois é só esperar pelos votos da academia.
Escrito pela ex-stripper Diablo Cody, o filme não disfarça que é na verdade um conto de fadas. Afinal alguém que já foi uma striper com certeza sabe fantasiar. Na vida real se sua filha menor de idade aparecesse grávida, o mínimo que se espera, é que pratos sejam quebrados, ameaças sejam feitas e ao menos duas ou três viaturas da polícia sejam envolvidas. Nada disso acontece no filme. E não importa em que mundinho de faz-de-conta a roteirista viva, solteiros ou recém divorciados nunca receberiam permissão da justiça americana para adotar uma criança. Nem no Brasil maravilha seria possível.
Dirigido sem muito esforço por Jason Reitman, o mesmo do enganador, Thank You, For Smoking (Obrigado Por Fumar), Juno tem vários furos no roteiro alguns intencionais outros por omissão, o que reforça a estranha superficialidade da película. A idéia parece ser tornar os assuntos tratados no filme, em algo tão trivial e corriqueiro como escovar os dentes. Tipo, só na cabeça de uma ex-stripper mesmo.
Para piorar as coisas, Juno é desse tipo de filme que a cada seqüência é introduzida por uma nova canção na trilha sonora. Sem falar nas inúmeras referências musicais presentes no roteiro moderninho. Bandas como Iggy Pop & The stooges, The Runaways, Sonic Youth e Melvins, por exemplo, são citadas nominalmente. Tudo só para mostrar o quão moderninha e descolada é a protagonista Ellen Page, que é a melhor coisa do filme. Já o pai da criança, Michael Cera, de Arrest Development repete, basicamente, seu antigo papel na série. Quer dizer, ao menos sua interpretação é idêntica.
No final das contas, Juno talvez seja a mais improvável comédia romântica de todos os tempos. Mas isso não é necessariamente um mérito. Parece mais uma concessão mercadológica de alguém que quer agradar conservadores e liberais, com um filme com potencial para ofender ambos.


Todas as críticas feitas a Batman - O Cavaleiro das Trevas partem de uma premissa errada. Querendo ou não, as pessoas comparam o trabalho de Christopher Nolan com os desastrados, patéticos e pífios filmes anteriores de Tim Burton e Joel Schumacher. Ora, por favor... Até um documentário de três horas sobre torradeiras elétricas é melhor do que qualquer um dos Batman dirigidos por Burton. Quanto a Schumacher é melhor nem comentar...
Por exemplo, quem em sã consciência poderia elogiar a atuação feita por Jack Nicholson como Coringa. Um sujeito gordo, velho, decadente e acabado seria a mais perfeita encarnação do mal? É muita galhofa. Por isso é que a atuação de Heath Ledger vem sendo chamada de genial. Também pudera... em comparação com um sujeito que precisa usar sapatos de palhaço para poder ver a ponta dos pés...
Batman - O Cavaleiro das Trevas começa após dois anos desde o surgimento do Batman (Christian Bale). Agora, os criminosos de Gotham City morrem de medo de sair à noite. Basta ver o bat-sinal para pensarem duas vezes antes de cometer alguma atividade ilegal. Porém, o cruzado embuçado não está sozinho na sua luta contra o crime.
Ele conta a providencial ajuda do tenente James Gordon (Gary Oldman). Além do reforço obtido com o promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart). O sujeito é incorruptível e vem lutando para enjaular os mafiosos de Gotham. Tanta simpatia desperta as atenções de Rachel Dawes (Maggie Gyllenhall), que acaba mandando Bruce Wayne pastar. Aliás, o triângulo amoroso proposto elo filme não funciona. Muito por culpa de Maggie que é boa atriz, mas nem de longe é uma atriz boa
No meio de tudo isso, em um momento dispensável e desnecessário, cidadãos comuns, inspirados por Batman, se disfarçando de Homem-Morcego e tentam fazer justiça com as próprias mãos. Claro que o homem-morcego não vai aceitar muito bem a nova concorrência...
Depois de verem suas planos frustrados e cansados de tanto apanhar, os chefes da Máfia, cometem um terrível erro. Acabam aceitando a oferta de um sujeito estranho, a um passo da insanidade, que insiste em usar maquiagem de palhaço sobre cicatrizes... Seu nome? Coringa. Ele garante que irá matar Batman e fazer com que Gotham City volte a ser a cidade preferida de todos os criminosos.
Nem é preciso dizer que Heath Ledger (que morreu pouco antes do lançamento de "O Cavaleiro das Trevas" no cinema - isso sim é que é marketing agressivo) faz uma interpretação muito mais crível do que Jack Nicholson. Duas cenas merecem destaque: o desaparecimento de um lápis e a explosão de um hospital. Agora, o palhaço do crime é uma espécie de psicopata assassino tão ou mais louco que o próprio Batman. Como já foi dito antes, qualquer milionário norte-americano que sai à noite para defender os pobres e oprimidos só pode ser maluco....
Mesmo com tanta incoerência, é visivel o esforço do roteiro para tornar real o mundo de Gotham City. Bruce Wayne (Christian Bale) ao lado de seu fiel mordomo Alfred (Michael Caine) percebe, por exemplo, que está causando mais mal do que bem à cidade. Por outro lado, o cientista Lucius Fox (Morgan Freeman) é jogado para escanteio e pouco tem acrescentar ao filme. A não ser em sua breve participação em Hong Kong.
Sim, em uma sacada interessante do roteiro, Batman monta uma verdadeira operação de guerra, como um estrategista, para capturar um bandido em terra estrangeira. O que mostra que pelo menos alguém leu os gibis do homem-morcego. A partir daí, o filme alterna bons e maus momentos. Aliás, as cenas de ação melhoraram, mas as de luta continuam abaixo da crítica.
O roteiro é cheio de falhas grotescas. Por exemplo, alguém é capaz de explicar como terminou a invasão da cobertura de Bruce Wayne pelo Coringa? Houve alguma morte ou o palhaço do crime simplesmente explicou a todos os presentes que se tratava de uma "pegadinha" organizada pelo Sérgio Mallandro? Outro detalhe irritante: não existiam mais policiais em Gotham City na hora da perseguição com caminhões?
Por fim, há um um momento bizarro, completamente fora do espírito sombrio do filme. Depois de várias ameaças feitas pelo Coringa, a população de Gotham entra em pânico. Muitos decidem abandonar a cidade. Eles são evacuados em balsas, pois as pontes podem conter explosivos. Bem, no meio da travessia o palahaço do crime anuncia que colocou bombas em dois barcos - um deles repleto de prisioneiros perigosos. O detalhe é que cada um deles possui um controle remoto capaz de explodir o outro.
Se um deles usar o controle primeiro, o Coringa garante que não vai acionar nenhum explosivo no barco restante. No momento em que o prazo está prestes a se esgotar, um prisioneiro joga o controle remoto para fora da balsa a fim de salvar a vida dos civis! Será que ladrão vez isso só por que estava a fim de pagar seu pecados e morrer como um herói? Em San Francisco até pode ser, mas em Gotham?
Além disso, a mudança na origem do Duas-Caras decididamente não funcionou. Pelo menos, o roteiro percebeu que este é um personagem completamente dispensável. Para fechar com chave de ouro, existe um momento Thundercats onde o Batman adquire uma espécie de visão além do alcance completamente dispensável...A coisa é tão ridícula que Joel Schumacher poderia ter pensado nisso...
De qualquer maneira, Batman - O Cavaleiro das Trevas segue respeitando a essência do personagem. Christopher Nolan pode ficar traqüilo. Perto de Tim Burton e Joel Schumacher ele é um gênio do cinema. E se o filme não é a melhor história baseada em uma HQ, pelo menos tem o melhor final....
Jota Tavares
