quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Para pensar...
Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares, e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?
Essa experiência mostra como na sociedade em que vivemos os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia, e pelas instituições que detém o poder financeiro.
domingo, 3 de agosto de 2008
Frank Zappa

"A emoção de um músico é a coisa mais importante, é o que sobrepõe ao acorde. Se deixar isto de fora, a música não vai lhe tocar."
"Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas."
"Se você quer trepar, vá à faculdade. Mas se você quer aprender alguma coisa, vá à biblioteca."
"Se você acabar com uma vida tediosa e miserável porque você ouviu seus país, seus professores, seu padre ou alguma pessoa na televisão, dizendo para você como conduzir a sua vida, então a culpa é só sua e você merece."
"Meu conselho para quem quer ter uma criança sadia e feliz é mantê-la o mais longe possível de uma igreja. Crianças são ingênuas e confiam em todo mundo. Escola já é ruim mas se levá-la para a igreja, então está querendo mesmo problemas."
"A maioria das pessoas não reconheceria uma música boa se ela viesse e as mordesse na bunda."
"Estupidez até pode ter um certo charme. Ignorância não."
"Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros."
"Tocar guitarra é como trepar. Você jamais esquece, a não ser que você seja realmente muito burro."
"Pessoas consomem produtos via respiratória para poderem diminuir seu nível intelectual e assim poderem se sentir parte da turma. Afinal, ninguém gosta de andar com quem é mais inteligente do que você. Isto não é divertido."
"Há uma grande diferença entre se ajoelhar e ficar de quatro."
"Drogas são horríveis. Elas acabam com seu coração, seu fígado e seu cérebro. E o pior de tudo é que deixam você igual aos seus pais".
"A mulher ideal é bonita, gostosa e as 4 da manhã vira uma pizza".
Culhões!
Clarah Averbuck
"Culhão. Homem tem que ter culhão. Não aquela macheza de lutador de vale-tudo, nada disso. Isso aí de força física qualquer mane tem, aliás, força física é coisa de mane.
Eu estou falando de culhões, bolas.
Culhão de gostar de mulher forte e não fugir dizendo que prefere uma mulherzinha. De assumir um compromisso e não ficar se refugiando nos braços de umas putinhas de carne firme e bunda empinada quando a coisa apertar, só pra se sentir macho. Culhão de botar filho no mundo e cuidar, e agüentar a mulher histérica na gravidez, e agüentar ver o parto sem desmaiar. E ainda sentir tesão depois.
Culhão de admitir quando está errado.
De bater o pé quando está certo.
De encarar a vida e não se acomodar pra deixar o sangue esfriar. De chorar quando sentir vontade, porque chorar é coisa pra macho. De se emocionar com algo mais do que futebol. De mandar tudo às favas às vezes e se mandar pra se encontrar. Culhão de ir embora quando as coisas são irreparáveis em vez de sentar a bunda no sofá e esperar uma intervenção divina. De tentar consertar tudo quando vale a pena.
Culhão de viver as coisas mesmo sabendo que pode se dar mal no fim. Mesmo tendo a certeza de que vai se dar mal no fim. A vida não tem anestesia e anda de mãos dadas com a dor.
De não rir de piadas sem graça pra agradar. De assumir o que gosta e o que não gosta mesmo que vire motivo de chacota.
De ser absolutamente devotado a algo, música ou uma mulher, sem ter pudores ou se importar com o resto do mundo.
Culhão de ir atrás dos sonhos, por mais bestas e utópicos que pareçam. E conseguir realiza-los e calar a boca de todo mundo.
De se vestir como bem entender.
De tomar uns porres e dar uns vexames e fazer de novo depois.
De pedir colinho quando precisar em vez de ficar se fazendo de fortão.
De resistir ás tentações da carne, porque a carne é fraca, mas a cabeça não pode ser.
De se jogar quando o abismo chama.
Culhão de trocar o certo pelo duvidoso sem pestanejar quando tem que ser feito, porque tem que ser feito.
De não fingir.
De falar em vez que ficar se esquivando. De não sumir e encarar as coisas quando dever ser encaradas.
Acho que é isso. Culhão. Você tem culhão? Espero que tenha. Ou que seu homem tenha. Ou aprenda a ter. Se bem que isso não se aprende, é inerente. Ou você tem, ou você não tem. Espero que você tenha."
Amo esse texto, e taí, o que vou desejar a todos que tenham: CULHÕES!
Bjos em todos!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
VIVA A SEXTA FEIRA!!!
Por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO, a sexta-feira é considerada o quinto dia da semana, sendo assim na maioria dos calendários em todo o mundo.
A palavra é originária do latim Sexta Feria, que significa "sexta feira", e de mesma acepção existe em galego (sexta feira), mirandês (sexta) e tétum (loron-sesta).
Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses dedicando este dia ao astro Vênus o que originou outras denominações, em espanhol diz-se viernes e no italiano venerdi, com o significado de Vênus e dia de Vênus. Outros povos reverenciavam deuses mitológicos, em inglês diz-se friday, dia de Frige e em alemão freitag, dia de Freiia.
No dito popular é considerado o melhor dia da semana pois é o último dia de trabalho.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
Concordo com a Wikipédia: É o melhor dia da semana!
Mas também, só poderia ser assim mesmo, pois, além de ser o último dia de trabalho, é o dia de Vênus!!! HeHeHe...
Bom fim de semana para todos (as).
Abraços, Jack.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Brasil "O País do futuro!?"
Brasil - "O País do futuro!"
-Brasileiro é um povo solidário. Mentira. -Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.
-Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
-Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
-Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência.
- O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.-Brasileiro é um povo honesto. Mentira.- Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. - Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
- Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como "aviãozinho" do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.
- O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros,senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !
O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um "gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto...
malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...
- O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.
Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse texto, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim??
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Marlon Brando

Marlon Brando foi único e é insubstituível. Jack Nicholson, James Dean, Steve MacQueen, Roberto De Niro, Paul Newman, Al Pacino, Dustin Hoffman, Sean Penn entre outros, são, por assim dizer, ‘conseqüências’ de sua soberba interpretativa. A sombra de Brando constrangeu outros atores que poderiam ter se firmado, com mais relevância, nos anos 50. Sir Lawrence Olivier, por exemplo, considerado o maior ator de teatro do mundo, quando trabalhava no cinema, não tinha uma relação com a câmara tão flexível como seria necessário, considerando que o cinema tem uma linguagem diferente da do teatro e a postura do intérprete sofre alterações entre uma e outra forma de expressão.
O grande ator de cinema é aquele que tem intuição para se relacionar com a câmara, conforme escreveu muito bem Roland Barthes. Marlon Brando, neste particular, foi o maior de todos. Um mito, o intérprete de Don Vito Corleone tem trabalhos inesquecíveis em sua trajetória cinematográfica. Mas Brando começou no teatro, em ‘Um bonde chamado desejo’, em 1948, sob as ordens de Elia Kazan, que viria adaptar o mesmo texto para as telas em 1951, tornando ‘A streetcar named desire’, de Tennessee Williams, o insuperável dramaturgo, um filme referencial pela performance estupenda de Branco como Stanley Kowalsky. No Brasil, como de hábito, mudaram o título original para ‘Uma rua chamada pecado’, revelando, com isso, por parte de seus ‘tradutores’, uma estupidez sem limites.
A fonte na qual bebeu suas influências está no teatro realista americano dos anos 40. E uma estadia no Actor’s Studio, a célebre escola de teatro para formação de atores capitaneada por Lee Strasberg, Kazan, na qual foi criado o famoso Método. Mas Brando era o próprio Método e, como afirmou Stella Adler, uma notável ‘preparadora’ de intérpretes que influenciou toda uma geração, para ele não havia necessidade de uma formação, pois tinha uma intuição surpreendente.
Ator formado nos moldes de Constantin Stanislavsky, Brando, no entanto, conseguiu suplantar o modelo de representação, inaugurando uma nova maneira de atuar, de se comportar em cena, apondo uma inédita gestualística no ser-ator. Poder-se-ia dizer que instaurou, mesmo ainda no proscênio de ‘Um bonde chamado desejo’, uma nova estética interpretativa. Sabe-se que, para a formação de um ator, é necessário muito ‘laboratório’, muita concentração, a fim de que possa atingir uma técnica, que, aliada, a sua intuição, permita-o ascender a uma virtuose. Marlon Brando, todavia, fugiu a todas as regras, um caso raro de ator que se formou baseado na sua própria intuição. É verdade que aprendeu alguma coisa no ‘Actor’s Studio’, mas o fundamental vinha dele mesmo.
Numa época em que vigorava o galã, Brando, por ser bonito e talentoso, procurou nunca se tornar um tipo definido. Assim é que, na sua estréia em Hollywood, apesar de seu porte atlético e da beleza pessoal, escolheu o papel de um tetraplégico que fica o tempo todo preso a uma cadeira de rodas em ‘Espíritos indômitos’ (‘The men’, 1950), de Fred Zinnemann, diretor austríaco que se fixou em Hollywood e que dirigiria, poucos anos depois, o clássico ‘A um passo da eternidade’. O filme seguinte, ‘Uma rua chamado pecado’, detona seu sucesso imediato, a irradiação de sua personalidade esfuziante ao encarnar o Kowalsky, polaco-americano criado com tanta força por Williams para o teatro. Kazan o convida para um novo filme, ‘Viva Zapata’ (1952), no qual é o personagem título, o célebre guerreiro mexicano com ânsia libertadora, trabalhando, nele, ao lado de Anthony Quinn.
‘Julius Caesar’, de Joseph Mankiewicz, trouxe Brando para Shakespeare e seu Marco Antonio é admirável, principalmente no momento do discurso, um primor de interpretação. Emblemático, porém, ficou a sua imagem de motocicleta e casaco de couro em ‘O selvagem’ (‘The wild one’, 1953), de um inexpressivo Laszlo Benedeck, mas um filme que ficou gravado no imaginário dos anos dourados pela expressividade da figura de Brando, um autêntico ‘rebelde sem causa’. Não resta dúvida que James Dean copiou o ‘maneirismo’ do futuro Corleone em ‘Vidas amargas’ e ‘Juventude transviada’
Em 1954, no papel do ex-boxeador Terry Malloy, em ‘Sindicato de ladrões’ (‘On the waterfront’) ganhou o seu primeiro Oscar, também sob a orientação de Elia Kazan. A partir daí a carreira de Brando se estabeleceu como a mais brilhante de Hollywood, ainda que tenha o grande intérprete feito certas concessões comerciais para entrar em declínio nos anos 60. Reabilitou-se como o Don Corleone de ‘The godfather’, graças ao empenho de Copolla em lhe conseguir o papel, que os diretores da Paramount não queriam entregara Brando. E, na mesma época, ‘O último tango em Paris’, de Bertolucci.
O fim da carreira de Marlon Brando é melancólico, não somente por causa de seus problemas existenciais e familiares, mas, também, pela sua displicência. Participou, nos últimos vinte e cinco anos, de filmes menores e sem importância, excetuando-se o seu Kurtz magnífico de ‘Apocalypse now’, que tem a assinatura de Coppola. O cinema, com a morte desse monstro sagrado, perdeu a sua majestade. Disso não se tem dúvida.
Momentos fortíssimos de Brando: quando, em ‘Os pecados de todos nós’ (‘Reflections on a goldens eyes’), de John Huston, oficial homossexual do exército americano, passa creme no rosto indeciso se vai ou não encontrar um soldado; ainda como oficial, desta vez nazista, em ‘Os deuses vencidos’, de Edward Dmytrick, frente a um espelho, bate continência a olhar para si mesmo; a extraordinária, e um dos grandes momentos do cinema no século XX, ‘performance’ como Vito Corleone em ‘O poderoso chefão’ (‘The godfather’), de Francis Ford Coppola; quando, desesperado, bate na mesa a gritar em ‘Uma rua chamada pecado’, de Kazan, ou neste mesmo filme, grita o nome de Stella, ao pé de uma escada, tendo seu rosto em ‘close up’; o sinistro Coronel Kurtz de ‘Apocalypse now’, ainda que com uma participação já no final e de alguns minutos; o monólogo em ‘O último tango em Paris’, de Bernardo Bertolucci; o ex-boxeador de ‘Sindicato de ladrões’ (‘On the waterfront’), de Kazan, principalmente na cena em que dialoga com Rod Steiger no banco traseiro de um carro, um dos momentos mais surpreendentes de um ator ‘in progress’ de toda a história da sétima arte; quando, apaixonado por uma gueixa, no Japão, resolve ficar na ponte todos os dias para cumprimenta-la, mas, de repente, após um ano, deixando de saúda-la, ela olha para trás e ele, solene, demonstra desdém, momento de ‘Sayonara’, belo filme de Joshua Logan ( o mesmo de ‘Férias de amor’/’Picnic’). Entre muitos outros.
Para encerrar, um trecho do que disse Inácio Araújo, na ‘Folha’, sobre este mito: “Brando não foi só um ator, nem um ícone de seu tempo. Foi de uma só tacada um formidável monumento do cinema e a perfeita expressão do destino tortuoso dessa arte corrompida por seus milhões de dólares”.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
A ESTRATÉGIA CHINESA!!!
A PRAGA MUNDIAL QUE NINGUÉM QUER VER - A CHINA DO FUTURO
Luciano Pires
Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões... A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas...
Com preços que são uma fração dos praticados aqui. Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo. Que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares. Comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios...
Hora extra? Na China? Esqueça. O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego, que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber...
Essa é a armadilha chinesa. Que não é uma estratégia comercial, mas de poder.
Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficar com o que "agrega valor": a marca.
Dificilmente você adquire nas grandes redes dos Estados Unidos um produto feito nos Estados Unidos. É tudo "made in China", com rótulo estadunidense.
Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares... Mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas. É o que chamo de "estratégia preçonhenta".
Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila as táticas para dominar no longo prazo. As grandes potências mercadológicas que fiquem com as marcas, o design... Os chineses ficarão com a produção, desmantelando aos poucos os parques industriais ocidentais.
Em breve, por exemplo, não haverá mais fábricas de tênis pelo mundo.. Só na China. Que então aumentará seus preços, produzindo um "choque da manufatura", como foi o do petróleo. E o mundo perceberá que reerguer suas fábricas terá custo proibitivo. Perceberá que tornou-se refém do dragão que ele mesmo alimentou.
Dragão que aumentará ainda mais os preços, pois quem manda é ele, que tem fábricas, inventários e empregos... Uma inversão de jogo que terá o Impacto de uma bomba atômica... Chinesa.
Nesse dia, os executivos "preçonhentos" tristemente olharão para os esqueletos de suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha na esquina, para as sucatas de seus parques fabris desmontados. E lembrarão com saudades do tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos chineses e vendendo caro a seus conterrâneos...
E então, entristecidos, abrirão suas marmitas e almoçarão suas marcas.
Luciano Pires é diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação
segunda-feira, 14 de julho de 2008
VAI TRABALHAR VAGABUNDO
Na verdade fazem, é o que separa o momento em que um piano cai na sua cabeça ou um carro pode te atropelar, basta parar no meio do caminho e se distrair com algo para que a diferença faça... diferença. Levanto correndo, visto uma bermuda e cato minhas tralhas. Dou um beijo nela e meio sonolenta me respode. Às vezes saio para trabalhar direto da casa dela, quando deixo alguma peça de roupa limpa lá, ou quando realmente saio atrasado e acabo me virando com o que tem à mão. Na maior parte das vezes acabo saindo tarde tanto da casa dela quanto da minha. A distância não é grande, mas as distrações são diversas.
Desviar de bosta de cachorro, manchete na banca de jornal, papo com o paraíba da lanchonete, um olá para o Salvador (da banca de jornal), uma bunda (ou duas), comprar leite, esquinas e uma obra no meio, idosos no caminho ocupando a calçada, mendigo, um puto na bicicleta te corta ou quase te atropela, pedras, sinal, carros, ônibus e finalmente o porteiro. Chegar em casa coincide com uma besta vontade de ir ao banheiro. Vontade que dá já no meio do caminho, mas acabo pensando em outra coisa e esquece a tempo de pegar o elevador, torcendo para não encontrar com nenhum vizinho que atrase o percurso.
Acabo saindo de casa sem tomar café, até porque um copo de leite ou suco é todo meu café da manhã, coisa da dieta. O banho fora rápido, tomo frio para não ficar de medo da água logo e já sair sem demora. Normalmente a parte da manhã está quente e uma coisa acaba anulando outra. Já quando se coloca o pé na rua todo o frescor do desodorante e da água fria virou suor. Não cheira mal, mas as costas molhadas incomodam, principalmente quando levo a mochila. Volta e meia procuro passar perto destas lojas com ar condicionado ou ventilador que escapa pela porta, um alívio curto mas que em quantidade acaba surtindo efeito. Dentro do ônibus não é diferente. Janela, sempre na janela. Não adianta muito também, o vento que vem da rua é sempre quente. O ponto onde vou descer é longe do trabalho, antes era mais perto, mas também era em outro bairro, pegava o metrô e não tinha metade do aborrecimento que tenho hoje. Uma distância que se faria em menos de dez minutos se transforma em trinta, ou mais, dependendo da hora em que saio ou da paciência dos cariocas em seus carros. Uma moto, isto resolveria minha vida e ainda por cima traria muitas alegrias.
Desce do ônibus e já começa a se distrair de novo. Mais bancas de jornal, carros, bundas, algumas motos, ruas, procura sombra que o sol já está mais quente, não tem lojas apenas o correio e não tem mesmo, pára em uma loja de conveniência do posto de gasolina - que tem ar condicionado - compra um suco de caixinha ou então uma coca light, a última faz mais efeito e a primeira realmente alimenta.
Tenta mais um banca de jornal, normalmente dou sorte porque sempre chega em uma banca e não em outra. Apenas dia sim dia não, porque não sou um cachorro que não pode ver poste que quer regar. É quase. E finalmente dou de cara com o portão do casa, sim, meu trabalho é em uma casa, bairro residencial. Aperta o interfone e consegue respirar, porque para variar, tem uma ladeira no caminho - não é muito íngreme, mas depois de algumas bons quarteirões até meio fio cansa.
Primeira satisfação: ar condicionado, vento gelado no suor é algo indescritível, quase sexual.
Segunda satisfação: às vezes chego na minha sala e não tem ninguém, isso dá uma falsa impressão de que cheguei cedo, acabo também escapando de alguma reunião ou problema psicológico alheio.
Terceira satisfação: chegar depois das 10 faz a manhã passar rápido, até você finalmente fazer algo produtivo já é hora do almoço, mais um motivo para postergar para a parte da tardem por mais importante que seja, ou sacar o telefone e ligar para o fast food mais próximo que tiver, torcer para que este dia não seja mais uma daquelas viradas em que você vivia tendo.
O dia passa e tudo o que você pensa é naquela cama macia com meu amor deitada, o gato no pé, o ventilador/ar condicionado ligado, um filme talvez e que o dia seguinte seja sábado, porque segunda feira é definitivamente o pior dia da semana.
Sim, de repente eu gosto mesmo de reclamar da vida...